segunda-feira, 26 de março de 2012

Análise da obra Memorial do Holocausto (ou Memorial dos Judeus Assassinados na Europa), em Berlim, do arquiteto Peter Eisenmann

Um texto que escrevi para a disciplina de Teoria e Estética da Arquitetura.


O memorial é uma impressionante construção estrategicamente localizada entre o Portão de Brandemburgo e a Potsdamer Platz, no bairro de Mitte, centro da capital alemã. São 2711 colunas de concreto cinza escuro firmadas em 19 mil metros quadrados – um quateirão inteiro – erguidas com ângulos variados e alturas diferentes (as mais baixas, com menos de um metro, e as mais altas, com 4,7 metros), gerando uma ondulação que causa um poderoso impacto visual, sublinhado pela estreita espessura entre as colunas: os 95 centímetros entre elas oferecem um caminho livre para o visitante, mas a medida é quase insuficiente para dar passagem a duas pessoas ao mesmo tempo. No subsolo uma exposição multimídia sobre os judeus assassinados na Europa.
Memorial do Holocausto
Subsolo, exposição multimídia.
O monumento cumpre dignamente a sua função: lembra os seis milhões de judeus mortos, sem colocar em primeiro plano a barbaridade disso.
Para Peter Eisenmann, simplicidade é o que a o monumento provoca. Para muitos, as 2711 colunas servem como metáfora do horror. Eisenmann não usou nenhum simbolismo nesta obra. 

Construção de um não-lugar
O resultado é um lugar construído, quase um não-lugar, uma lembrança dedicada aos judeus assassinados e não um registro das barbaridades em si. 

Personificação do horror
No subterrâneo, ao qual se chega através de uma escada que se encontra quase de repente, localiza-se o Centro de Informações. Nenhuma placa, nenhuma indicação. Na entrada estão seis rostos com nomes e origem, personificando de forma direta a morte dos seis milhões de judeus. As cores predominantes são preto, branco e cinza em quatro espaços quadrados. 

Dimensões da memória 
Para o visitante que circula entre as colunas e depois desce "aos porões", a existência do Memorial provoca "uma pequena viagem: do nós até o eu." Visto de fora, o Memorial é dominado pela massa pura, por suas dimensões, pela amplitude do campo de colunas em cinza escuro. Neste momento, a percepção tende a ser coletiva, abstrata, geral – não importa se gostando ou não da arquitetura de Eisenman -  e dentro, o indivíduo entra em contato com as lembranças individuais. 
O filósofo italiano Giorgio Agamben, em texto publicado sobre o Memorial no semanário Die Zeit, vê o mérito da obra de Eisenman exatamente "no limiar entre as duas dimensões topográficas: uma sobre o solo, exposta, mas na qual nada se lê. E outra subterrânea, onde se tem acesso à leitura".
Eisenman considera o solo a autêntica idéia arquitetônica, o recurso que singulariza a arquitetura. O terreno que serve de suporte para a construção é o que diferencia a arquitetura das outras artes e da mídia. Para ele, o solo não se reduz a uma mera superfície, sendo muito mais locus que encerra a memória coletiva em camadas. Só através de um trabalho consciente com o solo o arquiteto pode atingir a totalidade midiática, ressalta o arquiteto.
Esta topografia provoca sensações positivas e negativas. Uma delas é que, apesar de ser ao ar livre, o memorial é um ambiente um pouco claustrofóbico, pelo tamanho dos blocos que chegam a ter mais de 4 metros de altura. Assim, só é possível ver o concreto e o céu, se olhar para cima.
A meta de Eisenman é colocar o visitante na posição de desorientação das vítimas do holocausto. Com isso, a arquitetura estaria proporcionando às pessoas uma nova experiência espacial, sem recorrer a imagens.  Ao mesmo tempo em que é algo belo, pode causar estranheza e até mesmo você pode se perder nele, sentir que está sozinho. Essa sensação forte, mas abstrata, foi proposital, Eisenman, que vem de família judia, buscou algo que não fosse um símbolo reconhecível, sem significados a transmitir.
Andar pelo Memorial é uma experiência impressionante. Os espaços entre os blocos de concreto têm a largura suficiente para passar apenas uma pessoa, tornando o percurso necessariamente solitário. Com a variação da altura dos blocos e a ondulação do terreno, à medida que se caminha parece que se está mergulhando e se perdendo em um labirinto cinzento. Sem ninguém ao seu lado e cercado de paredes estreitas, a sensação é de perda de direção, confinamento e solidão.
Ao sair, percebi que a intenção do Memorial foi atingida de uma forma bastante sutil. Senti por um breve instante um pouco da dor que passou um ser humano igual a nós. Com simplicidade, eficiência e sem ser agressivo, o Memorial é bastante tocante e nos leva a refletir sobre essa mancha feia no passado.
O monumento ocupa toda a quadra.
A topografia determina o movimento.


A sensação de claustrofobia para quem circula pelo monumento, causada pela altura e afastamento dos blocos.




sábado, 25 de fevereiro de 2012

Peru: Lima, Cusco e Machu Picchu

O intercâmbio acabou e ficaram registradas algumas lembranças das viagens! Para não abandonar totalmente o blog, vou registrar todas as viagens que eu fizer. Começando pelo Peru! Não estou inspirada no momento para escrever, mas deixo por enquanto algumas fotos e dicas boas para quem está indo visitar o país!
Lima: o melhor bairro para se hospedar é Miraflores. O hostel que eu fiquei é muito bom e recomento, é o Pariwana. É muito legal alugar uma bicileta e fazer um bike tour pelos bairros Miraflores e Barranco (www.biketoursoflima.com). A orla tem uma arquitetura incrível, tanto dos prédios, de um lado, quanto dos parques, do outro lado. Fiquei realmente encantada... A praia é meio desagradável, a areia é de pedra e o mar é escuro e gelado, além das cinzas vulcânicas que deixam as pessoas imundas dos pés a cabeça... pra comer, os restaurantes Cebicheria La Mar, do chef peruano Gastón Acurio, o Pescados Capitales e também o Gastón e Astrid. Esses são considerados os melhores e mais caros restaurantes de Lima, mas comparando com Florianópolis, são incrivelmente baratos. Lá se come MUITO bem pagando muito pouco. Um bar bem bonito é o Ahayuasca.
Cusco: Ficamos no hostel Pariwana também, e muuuito recomendo! Foi um dos mais legais que fiquei na vida! O restaurante Chicha é muito bom, de comidas típicas cusquenhas e peruanas, também do chef Gastón Acurio. Um passeio que vale a pena, próximo a Cusco, é pelo povoado de Moray, Maras, onde tem as terraças circulares agrícolas e as salinas incaicas (abaixo tem fotos). Outra dica é ir pra Machu Picchu assim: pegar o trem um dia antes, dormir em Águas Calientes e subir para Machu Picchu de manhã cedo, pare evitar chegar lá ao meio dia e entrar na cidade com 28472424 turistas ao mesmo tempo... 
Machu Picchu: não tenho palavras pra explicar, só vendo pra saber como é! É tudo o que eu imaginava e mais um pouco! O lugar tem uma história e uma energia maravilhosa. Vale a pena contratar um guia na entrada da cidade, são vários e assim não se perde nada da história. Depois do passeio guiado dá pra ficar curtindo a paisagem! Eu conversei com o motorista da nossa van e ele explicou que Machu Picchu não vai fechar, como dizem, mas sim vai mudar o Plano Diretor e vão restringir as visitas à visitas panorâmicas, para evitar a deteriorização das ruínas. E em fevereiro a cidade fecha para manutenção e por causa do período de chuvas. 
Bom, eu que falei que não ia escrever muito, já escrevi, né?
























segunda-feira, 14 de novembro de 2011

lomografando Barcelona, Paris e Amsterdam



















Amsterdam... última viagem do intercâmbio :(

Depois de Paris segui com a May e o Bio para Amsterdam, fomos de trem :)
Fiquei hospedada em um barco (!!) muito legal (Mary Ann's Boat algo assim), bem bonitinho, com banheiro, cozinha... achei interessante ficar em um barco! Isso porque eu estava com meu romance de fim de intercâmbio, que foi me encontrar em Amsterdam, mas o resto do pessoal ficou em um hostel que também recomendo para quem está precisando, é o Heart of Amsterdam. 
A cidade é lindinha, o transporte público é perfeito e são tantas bicicletas como em Copenhagen, já esperava, não fiquei surpresa. Adorei o museu/casa da Anne Frank e não fui no do Van Gogh. É difícil conciliar arquiteturismo com bolinhos mágicos, né?
Na minha última noite na Europa (soooooooo saddd) fomos jantar em um restaurante incrível, realmente holandês, se chama Brix e recomendo supersupersuper!!!!!! Quem indicou e fez reservas foi um casal holandês, de Amsterdam, amigos dos meu irmãos (diz a lenda que quando eu tinha 5 anos de idade recebemos um intercambista holandês na minha casa, mas eu não me lembro dele, mas enfim, foi ele...). O cardápio era todo em holandês e arriscamos todos os pedidos, não queríamos perguntar muito, queríamos parecer locais!! Acertamos em tudo! Comi uma salada pra não ter erro e uns bolinhos de salmão, pelo que me lembro... O barquinho e esse restaurante foram o ponto alto de Amsterdam pra mim! 
Depois peguei o avião mais triste da vida, voltei para Milão em prantos, fechei minhas malas em prantos, fui para o aeroporto em prantos, com a Isabela e o Flávio em prantos, voltei para Florianópolis em prantos... e acabou :(
Amsterdam crew

Cadê arquiteturismo?

Laundry dogs

Brix!